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Entrevista à Tribuna do Norte: Câncer de Bexiga — Um Alerta que Merece sua Atenção

1. Introdução

O mês de julho assume uma tonalidade roxa no calendário da saúde para lançar luz sobre uma patologia muitas vezes silenciosa, mas de alta relevância clínica: o câncer de bexiga .

Recentemente, tive a oportunidade de conceder uma entrevista detalhada ao Jornal Tribuna do Norte, em Natal/RN, para discutir os avanços e os desafios que cercam essa doença em nosso estado.

A campanha de conscientização, promovida pela Sociedade Brasileira de Urologia do Rio Grande do Norte (SBU-RN), busca romper o ciclo de desinformação. Levar dados precisos e orientações preventivas à população potiguar é o primeiro passo para reduzir as estatísticas de mortalidade e garantir que o tratamento seja instituído no momento oportuno. Dr. Rafael Meduna é um dos diretores da atual SBU-RN.

Acesse aqui a matéria completa publicada no Jornal Tribuna do Norte

2. O Cenário no Rio Grande do Norte e no Brasil

Os dados epidemiológicos recentes são preocupantes e reforçam a necessidade de vigilância constante. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o ano de 2026, o Rio Grande do Norte deverá registrar 140 novos casos de câncer de bexiga. A incidência no estado é de aproximadamente 2,76 casos para cada 100 mil habitantes.

A disparidade de gênero é evidente: dos casos previstos para o RN, 90 ocorrerão em homens e 50 em mulheres. Nacionalmente, o cenário é ainda mais grave. Entre 2021 e 2025, o Brasil registrou um total de 26.337 mortes decorrentes desta neoplasia, apresentando uma curva de crescimento anual que saltou de 4.929 óbitos em 2021 para 5.554 em 2025.

Conforme destaquei em minha fala como diretor da SBU-RN, essa maior prevalência no público masculino está historicamente ligada a uma maior exposição a fatores de risco externos e ocupacionais, embora o crescimento entre as mulheres acenda um sinal de alerta para as mudanças de hábitos na população feminina.

Indicador Rio Grande do Norte Brasil
Total de novos casos 140 casos estimados em 2026 Crescimento constante
Incidência masculina 90 casos Maior prevalência histórica
Incidência feminina 50 casos Aumento gradual observado
Taxa por 100 mil habitantes 2,76 Variável por região

3. Fatores de Risco: O Principal Vilão

O tabagismo permanece, isoladamente, como o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de bexiga .

É fundamental compreender que as toxinas do cigarro, após serem absorvidas pelos pulmões e caírem na corrente sanguínea, são filtradas pelos rins e concentradas na urina. Como a bexiga armazena esse líquido, o tecido urotelial fica exposto a substâncias cancerígenas por longos períodos.

Além do fumo ativo, a exposição passiva e o contato com agentes químicos em ambientes industriais, como indústrias de borracha, corantes e couro, também elevam significativamente as chances de desenvolvimento da doença. O estilo de vida sedentário e a baixa ingestão de líquidos complementam o quadro de vulnerabilidade.

4. Sinais e Sintomas: Fique Atento

A identificação precoce depende da atenção aos sinais que o corpo emite. O sintoma mais característico é a hematúria — a presença de sangue na urina .

Na maioria das vezes, esse sangramento é indolor e pode ocorrer de forma intermitente, o que leva muitos pacientes a retardarem a busca por ajuda médica.

Atenção aos sinais de alerta:

  • Sangue na urina, mesmo que desapareça sozinho;
  • Aumento súbito da frequência urinária;
  • Urgência para urinar, com dificuldade para segurar;
  • Ardor ou dor ao urinar;
  • Sensação de que a bexiga não foi totalmente esvaziada.

5. Diagnóstico Precoce: A Chave para a Cura

O prognóstico do câncer de bexiga é diretamente proporcional à precocidade do diagnóstico.

Quando a doença é identificada ainda em sua fase superficial, não invasiva, as chances de controle e cura são extremamente elevadas. Nestes casos, é possível realizar tratamentos preservadores, mantendo a funcionalidade da bexiga e a qualidade de vida do paciente.

Como mencionei à Tribuna do Norte, a medicina moderna permite intervenções menos invasivas que evitam a remoção total do órgão em estágios iniciais.

No entanto, o atraso na investigação de um simples sangramento urinário pode permitir que o tumor invada a camada muscular, exigindo cirurgias de maior porte e tratamentos sistêmicos mais agressivos.

6. Prevenção e Cuidados

A prevenção primária é o caminho mais eficaz. Cessar o tabagismo é a medida mais impactante que um indivíduo pode adotar.

Além disso, manter uma hidratação adequada ajuda a diluir possíveis substâncias nocivas presentes na urina, diminuindo o tempo de contato com a parede da bexiga.

7. Conclusão

O Julho Roxo não é apenas uma data no calendário, mas um chamado à ação.

O câncer de bexiga é tratável e curável , desde que não seja ignorado.

Se você notar qualquer alteração em seu hábito urinário, não espere o sintoma se agravar. A saúde urológica deve ser prioridade em todas as fases da vida.

Previna-se, informe-se e cuide de quem você ama.