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PSA Subiu Após o Tratamento? Entenda as Opções para Recidiva do Câncer de Próstata

Recidiva Bioquímica e Câncer de Próstata Metastático: Diagnóstico e Tratamento Atualizado

Recidiva Bioquímica e Câncer de Próstata com Metástases (Sensível à Castração): Opções de Tratamento Simples e Atualizadas

Recentemente, dei uma aula sobre o tema Recidiva Bioquímica e Câncer de Próstata Metastático Sensível à Castração: Do Diagnóstico ao Tratamento. Neste post, explico de forma simples as possibilidades de tratamento para recidiva bioquímica — quando o PSA sobe após cirurgia ou radioterapia, sem que o câncer seja visualizado nos exames — e para o câncer de próstata metastático sensível à castração (mHSPC), quando há metástases, mas o tumor ainda responde bem ao tratamento hormonal.

Como diagnosticamos esses casos?

Quando o PSA sobe após o tratamento inicial — como ≥ 0,2 ng/mL após cirurgia ou aumento de 2 ng/mL após radioterapia — utilizamos exames avançados, como o PSMA-PET/CT, para detectar metástases pequenas, chamadas de oligometástases (geralmente até 3 ou 4 lesões). Esse diagnóstico mais preciso ajuda a definir o melhor plano terapêutico para cada paciente.

Opções de tratamento passo a passo

A base do tratamento é a terapia de privação androgênica (ADT), que reduz os hormônios que alimentam o câncer. Em muitos casos, ela é associada a medicamentos como abiraterona ou enzalutamida, conhecidos como ARPI. A seguir, veja as principais possibilidades:

1. Tratamento duplo (ADT + ARPI)

É a estratégia ideal para a maioria dos pacientes. Esse tipo de combinação controla a doença por mais tempo do que a terapia hormonal isolada. A escolha do ARPI depende do perfil clínico do paciente, já que alguns medicamentos podem causar menos cansaço ou menos impacto na pressão arterial.

2. Tratamento triplo

Nos casos com muitas metástases, especialmente em pacientes com alto volume de doença, pode ser indicada a associação de quimioterapia com docetaxel (geralmente em 6 ciclos). Essa estratégia melhora o controle da doença, desde que o paciente tenha condições clínicas adequadas, sem fragilidade importante ou limitações cardíacas relevantes.

3. Tratamentos para mutações genéticas específicas

Em alguns casos, testes de sangue ou de tecido tumoral identificam mutações genéticas que ajudam a direcionar terapias mais específicas:

  • Niraparib: pode ser utilizado em combinação com ADT + abiraterona em pacientes com mutações BRCA/HRR, aumentando o tempo sem progressão da doença.
  • Capivasertib: indicado em casos com perda de PTEN, também contribuindo para retardar o avanço do câncer.

4. Radioterapia no tumor principal

A radioterapia direcionada à próstata pode ser indicada em pacientes com baixo volume metastático. Além de ajudar no controle da doença, pode reduzir sintomas como dor, obstrução urinária e infecções, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

5. Tratamento direcionado às metástases (MDT)

Nos casos com poucas lesões, o tratamento das metástases — conhecido como MDT (Metastasis-Directed Therapy) — pode ser feito com SBRT (radioterapia de alta precisão) ou cirurgia. Essa abordagem pode atrasar a necessidade de terapias hormonais mais intensas, com baixa toxicidade.

Em resumo

O tratamento deve ser sempre individualizado:

  • Alto risco: tratamento triplo pode ser a melhor escolha.
  • Baixo risco: tratamento duplo, associado à radioterapia ou MDT, costuma ser uma excelente opção.
  • Pacientes sem sintomas ou mais frágeis: priorizamos estratégias mais simples e bem toleradas.
  • Duplo (ADT + ARPI): base do tratamento para a maioria dos casos.
  • Triplo ou terapias genéticas: opções para situações mais agressivas ou com mutações específicas.
  • Radioterapia e MDT: excelentes alternativas para quem tem poucas metástases.

Cada caso deve ser avaliado individualmente. Por isso, é fundamental consultar um especialista para definir a melhor estratégia de diagnóstico e tratamento.

Dr. Rafael Meduna
Especialista em Oncologia Urológica